Av. Dr. Adhemar de Barros, 566 - Sala 1008.

(12) 4102-0710

Ligue Agora

(12) 4102-0710

Horário de Funcionamento

Seg-Sex: 09:00-20:00 Sáb :09:00-18:00 Dom: 09:00-12:00

Agenda

O seu sorriso perfeito está à um clique de distância!

Ligue Agora

(12) 4102-0710

Horário de Funcionamento

Seg-Sex: 09:00-20:00 Sáb :09:00-18:00 Dom: 09:00-12:00

Agenda

O seu sorriso perfeito está à um clique de distância!

Dr, quanto custa ?!

Hoje gostaria de falar sobre algo importante… Super importante!

Mas afinal de contas, qual a importância de um exame clínico antes de se passar qualquer tipo de valores aos pacientes?

A princípio é completamente compreensível essa linha de pensamento: os procedimentos não mudam, certo? Uma extração de siso é uma extração de siso, assim como um canal, uma restauração, uma coroa e um implante. Se até o SUS trabalha muitas vezes com tabelas referenciais de valores a pagar a profissionais de saúde, como um consultório não o faria? Ou o dentista cobra de acordo com o perfil do paciente?

Ok, tudo bem… Mas há um pequeno equívoco nessa conclusão que a torna precipitada. Quando o assunto é saúde, é necessário obedecer certos critérios para que um tratamento consiga ser preciso e eficaz. Um tratamento reabilitador passa por etapas que levam à identificação da doença ou condição queixada pelo paciente, um planejamento, propostas de tratamento e, enfim, o tratamento em si. Portanto:

  • Diagnóstico
    • Nessa etapa, identificamos as afecções que acometem o paciente, determinando a necessidade da nossa intervenção. Para isso, duas coisas são absolutamente necessárias: um excelente exame clínico, onde nós temos visão e contato direto com o paciente em questão, e, eventualmente, exames complementares, como radiografias e outros exames de imagem que, juntos com o que nós coletamos de informação no exame clínico, nós levam ao diagnóstico. É importante salientar que essa etapa também envolve uma rigorosa anamnese, onde nós também avaliamos o estado de saúde geral do paciente, como presença de doenças sistêmicas como diabetes, hipertensão, etc, que podem influenciar diretamente na abordagem terapêutica a ser empregada.

  • Planejamento
    • Com as informações coletadas e um diagnóstico estabelecido, passamos então ao planejamento. É aqui que nós avaliamos todas as possibilidades terapêuticas para o caso em questão, levando em conta tudo o que temos de informação sobre o paciente. Parece bobagem, mas se a gente para e coloca no papel, a coisa fica mais clara: É aqui que nós juntamos, se pegarmos um exemplo simples, o aspecto clínico daquela lesão de cárie no dente X; a radiografia que indica que a cárie chegou na poupa do dente e já estabeleceu uma infecção; os desgastes em outros dentes de forma generalizada, indicando um bruxismo do paciente; e os sinais de erosão dentária, desgaste químico provocado pela consumo exagerado de alimentos com ph ácido (ou até mesmo refluxo), que, no caso, identificamos na anamnese. Além disso, caso o paciente apresente osteoporose, diabetes, pressão alta, ou tenha realizado quimio/radioterapia, por exemplo, também são dados que utilizamos para planejar um caso.

  • Tratamento
    • Passando por tudo isso, chegamos então a o que de fato nos interessa: o tratamento! No caso, esse consiste em uma ordem sequencial de tratamentos que agrupamos de forma a… Tratar o paciente (não há como fugir da repetição de palavras nesse caso :). Em consulta, com o planejamento finalizado, passamos ao paciente opções de tratamentos (sempre nos esforçamos para explicar ao máximo todas as opções terapeuticas para aquele caso, sendo a nossa função fazer com que o paciente compreenda o nosso diagnóstico e como nós pretendemos tratar daquela doença ou condição). Nesse nosso exemplo, como estamos lidando com um dente já infeccionado por lesão de cárie, erosão química, bruxismo e hábitos alimentares deletérios, com certeza absoluta a nossa proposta de tratamento não poderia ser apenas o tratamento de canal, entendem? Portanto, nesse caso, é imprescindível que realizemos o tratamento de canal, a restauração do dente e, além disso, realizemos um tratamento para o bruxismo e trabalhemos também com uma reeducação alimentar. Esse é um exemplo clássico de como além do dentista, há ganhos expressivos de um tratamento concomitante com um psicólogo (pelo bruxismo e o distúrbio alimentar) e nutricionista.

O texto está longo, eu sei, mas concluindo:

Caso esse paciente hipotético nos tivesse ligado perguntando “Dr, quanto é uma restauração e um clareamento?” e nós houvéssemos passado: “É x”, como ficaria todo o resto? Ele de fato precisava da restauração, mas e o canal que nós só conseguimos ver com a radiografia, o bruxismo e a erosão química?

O nosso organismo é de uma complexidade incomensurável. O bom profissional tem o dever inalienável de dedicar tempo e energia à expandir a sua compreensão de todos os sistemas que, juntos, compõem o indivíduo que necessita da sua intervenção. É importantíssimo lembrar que embora alguns casos sejam simples, nós como profissionais da saúde nunca devemos nos abster da incerteza. É partindo do princípio que nós não temos certeza absoluta de nada que nós investigamos cada caso da forma mais completa o possível. O excesso de confiança pode nos fazer negligenciar detalhes pequenos que fazem a diferença. Em alguns casos, uma ENORME diferença. Sempre carrego o seguinte lema: eu não conseguiria nunca lidar com o fato de um paciente ter passado pelas minhas mãos com uma lesão em boca que, mais tarde, se mostrou ser um câncer, que eu negligenciei por falta de foco.

É isso. Agradeço a leitura e espero que eu tenha conseguido trazer um pouco de luz ao assunto. Por mais que seja frustrante nós lidarmos com um mercado que espera uma resposta clássica de varejo, “a la casas bahia”, não podemos deixar de trazer o conhecimento que mostre para o próprio consumidor que, nesse caso, é necessário mais, e, principalmente, para o seu próprio bem!

Felipe Peloggia

Cirurgião-dentista e sócio-fundador da INTEGRA Odonto SJC. Escreve sobre tudo o que envolve o dia a dia dentro e fora do consultório odontológico. Atua como clínico-geral, com ênfase em cirurgia, prótese e estética dentro da reabilitação oral.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *